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sábado, 16 de maio de 2015

O Tempo Nos Leva

Eu sorri para o tempo,
mas ele nem olhou para mim.
Gritei ao vento
Para sua atenção ganhar enfim.
Que nada, uma mamata maquiada
de cílios postiços e mini-saia, safada,
que nem puta da Lapa.
Adornada com maneirismos decrépitos
Antecessor ao mais ancião dos séculos
O tempo é rei, soberano, ditador.
Sem essa de usurpador.
Não, o buraco é mais embaixo.
A vida é um jogo de esculacho.
Quem passa não é o tempo, é a gente.
Breve como o próprio viver, de repente.
Não era essa verdade que desejei ser crente,
mas é assim.
Vai, sorria pra mim!
Peço a Deus pela sensação de dever cumprido
Após encerrar a base desta vida, que é de vidro
Encardido, fedido, sucumbido, jazigo,
Passado.
Presente e futuro também,
são as armas que o tempo tem
contra eu e você, irmão.
A cruel entropia que nos consome a cada respiração.
O resultado da experiência é a fragilidade
diante do fim que corrói qualquer vaidade.
Piscou, espantou, passou, perdeu.
Tudo no seu mundo envelheceu.
Existir é ser o suspiro que ainda não esvaneceu.
Meu,
é impossível mensurar.
Então corro pelo o que me tem a restar
Viver, sem temer sair do raso
Porque o relógio é o meu pior carrasco.
Valorizo as coisas boas e simples que surgem aqui e ali.
O que não desejo pra mim, não desejo pra ti.
Parceiro, evite o relento lento
feito para aqueles com pouco discernimento.
Não há existência sem ferimentos,
nem misericórdia sem esquecimento.
Eu gritei aos ventos,
mas agora sussurro em pensamento.
Pois a última coisa que tento
é o castigo do tempo.

domingo, 25 de janeiro de 2015

A Rima do Game Over

É, meu irmão, vou te falar
A dor é muito grande
E eu não sei por onde começar
Ultimamente, a angústia está presente
Os segundos se esgotaram
Disso já estou ciente
Impedido de seguir em frente
O sistema me trata como indigente
Pressiono start
Tarde demais, é game over
Infelizmente.

Como eu pude ser tão demente?
Tudo aconteceu de repente
O chefão estava desorientado
E do nada, me golpeou repentinamente
Antes que eu pudesse reagir
Já ao chão, eu jazia inconsciente.

A minha coragem tá meio enfraquecida
Mesmo depois de toda a experiência adquirida
Mas essa queda não irá me impedir
Não me canso desse jogo,
Enquanto eu não o concluir
Sou velha-guarda, sou anos 90
Se não sabe perder, moleque,
Faz o seguinte, nem tenta.
Aqui só conquista quem aguenta
Fica no teu life infinito
Sua criança pirracenta.

Relaxa, não vou bancar o idiota
Só é chato ver que o mundo
Não lida mais com a derrota
Eu perdi, fracassei, disso eu sei
Um perrengue eu passei
Da minha sorte eu abusei
Mas pro fim não há leis
E se eu cair de novo, poucos segundos terei
No total, te garanto, são menos de seis.

Saiba que o recomeço também é um start
Jogar video-game é uma arte
Perder é algo que sempre fará parte
Seja o que for,
A desistência mantém-se em descarte.