"Você tem essa mania de me dizer que estou 'perdido'. Bem, não que por algum acaso eu já tenha me achado neste mundo turbulento, pois tal coisa, te garanto, jamais fiz e acho meio improvável fazê-lo algum dia. Porém, todavia, entretanto, não - quer - dizer - que - estou - perdido. Eu só não cheguei ainda. Pergunto ali e pergunto acolá sobre esse negócio de se achar, mas oras, ninguém sabe coisa alguma! Por que eu, miserável ser errante, deveria portar esse item tão raro e valioso? Só de perguntar já me soa arrogante. Agora, hei de admitir que enrolo nesse troço aí. Na verdade, passo em tantos galhos, dos mais tortos aos mais alinhadinhos, desprovido de qualquer pretensão, que até o pouco de bom-senso que possuo não configuraria isso como sendo um procurar. Mas é um, sim, lá num fundo tão fundo que o pobre diacho do 'perdido' venha a calhar de uma certa forma. E pensando bem, aqui nos domínios de um galho lodoso e sinuoso que faço morada há três dias, essa caça é tão eterna quanto o tédio que deve ser se achar por completo. Convenção social ou não, eu não sei o que quero, você não sabe o quer, ninguém sabe! - E nem se toda a sanidade mental minha esvaísse perante uma doença do tempo, ainda assim, não consideraria o termo 'perdido' em meus cunhos de julgamento alheio. Prefiro usar um mais simplório e filosófico: Vivendo - com V maísculo mesmo".
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domingo, 30 de agosto de 2015
Quanto ao Absurdo de Estar Perdido ou Achado
sábado, 16 de agosto de 2014
A Jornada de Todos os Herois
Há na jornada de cada herói a “provação máxima”, aquele
momento onde monstros e os mais dos terríveis males precisam ser enfrentados. É
aquele instante em que as forças, antes inesgotáveis, agora são escassas. O horizonte
passa a ser turvo, incerto, quase uma imagem abstrata de algo que um dia fora
uma meta. É difícil prever um fim quando se encontra em tais condições, pois o
herói está sozinho - Ele precisa estar sozinho. Seus coadjuvantes, ajudantes, mentores
e todo resto tornam-se periféricos, pois esta peleja pertence exclusivamente a ele.
É a forma que a vida, cruelmente, escancara que o fim disto é responsabilidade dele,
seja o que for. E talvez por se mostrar tão cruel com as chances, estes
momentos necessários da jornada sejam o motivo da morte de tantos ideais e
objetivos.
O herói tenta fugir, tenta esconder a sua face, embrulhar-se
até que desapareça. Mas para onde ele vai a provação o persegue, porque ela não
é externa, ela faz parte dele. E quando consegue aceitar a necessidade de
enfrentar o inevitável, sua maior certeza é a do fim, por mais que outrora ele
tenha sido capaz de superar outros conflitos - Nenhum se compara a este. Então, a
espada é desembainhada, as últimas forças são tomadas e o encontro ao que o acaso
permitir é aceitado. Neste momento, não importa o que fora aprendido, ganhado
ou conquistado, a única coisa que importa é este fardo terminar – por mais que o seu triunfo seja ansiado por tantos terceiros.
Um alívio com a sensação do iminente fim é sentido. No
entanto, uma força incansável faísca dentro de seu ser, no mais profundo dele.
É de natureza desconhecida, começa como uma imperceptível fagulha até preenchê-lo por completo. É um outro lado do herói o
qual ele não conhecia até então. O que era antigo e velho, dar lugar ao renovo.
Este lado parece não desejar o fim: Ele quer vencer, ele pode conquistar. Jogado, antes da grande batalha, numa dimensão
diferente à atual, o herói espanta-se. Nesta realidade paralela, dois tons são
suficientes: o branco e o negro; o sim e o não; o começo e o fim; a vida e a
morte. Uma explosão cegante inicia-se, ele não é atingido por ela, somente testemunha
algo bonito e único - Alguns costumam chamar isto de redenção. O clarão da
explosão mata suas conclusões pessimistas, porém mata o seu antigo eu também,
aquele descrente das próprias forças. Ele renasce logo em seguida e os tons
modeladores desta realidade fundem-se e tornam-se um novo espectro, um artefato
que pode ser grandioso, mas que agora cabe em suas mãos.
A recompensa por esta batalha vencida é o elixir, o artefato
que o ensinará simplesmente a seguir em frente, a experiência para superar os seus
demônios mais tenebrosos. Voltar a desconfiar de si nos momentos de provações
faz parte deste arquétipo, mas basta encontrar aquela pequena faísca para desencadear
o descontrolado entusiasmo que nos guiará a vitória de cada luta. Tudo isso
porque somos grandes, somos fortes... Somos heróis.
N.T.: Este texto faz parte da volta deste inresponsável jovem escritor. I'M BACK!
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