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sábado, 14 de janeiro de 2017

O Breve Discurso de Um Viajante

Olá, companheiro viajante! Saudações andarilhas a todos.

Se não lhe for chato ouvir algumas palavras de elucidação, as quais costumamos chamar de conselho, dedique um pouco da sua atenção a este errante calejado. 

As estradas certamente reservam perigos que não podemos prever. Sempre foi assim. Mas é válido lembrar que a magia da coisa está nisso. A propósito, eu nunca saio em uma aventura que não me ofereça riscos; pois pra que servem as viagens se não houver aquela sensação de não ter o controle de tudo?

Você me ouviu?

As estradas não mentem.

Alguns até dizem: "Olha, você uma hora vai é morrer se continuar pensando assim". Blah! Quem fala essas balelas não costuma viajar e de tabela não costuma viver - e aí, se não vivem, por que a morte importa tanto a eles, afinal?

Sei lá, não imagino aventuras sem riscos. Seria um crime investir em uma sabendo que tudo será um mar de flores com perfume de aloe vera e, mesmo assim, ao final dela, ter a cara de pau de regressar com a mesma satisfação que Santos Dumont experimentou ao pousar sua engenhoca, ou Martin Luther King, por ter marchado.

Não seja o tipo fraco de viajante. Não desperdice o seu talento inato de atrair toda sorte de perigos para o teu cangote. Perceba o valor que isso tem, para não achar que a viajem é apenas mais um dia comum. Viagens são feitas para loucos varridos, com deficiência em se manterem presos a correntes que são invisíveis o bastante para alimentar uma liberdade ilusória. Assuma a loucura como quem assume o desconforto de um sapato apertado já sabendo do satisfatório prazer que será retirá-lo.

A loucura está aqui, junto com as ameças, e não há período melhor para elas se proliferarem do que a noite. Sim, está em nosso código genético temê-la, até porque é ela quem melhor sabe atrair riscos. Existem noites que são verdadeiramente escuras, sem estrelas ou lua, sem brisa ou cricrilo que nos atinja e faça constatar outra vida além da nossa. São noites de desolação e relento, onde não é possível enxergar nada além de pessimismo, somente solidão. 

Lá se vão nossas esperanças diante das noites que não se pode impedir - e qualquer viajante de respeito, caro companheiro, tem medo. O medo é a mais excitante das aventuras. Tenha-o sempre na mochila consigo, deixando claro a ele quem está no controle. Porque com a noite a dinâmica é diferente. As noites são naturais, previsíveis e implacáveis. Noites sempre vêm e todo esforço contrário é inútil. 

Contudo, tão certa quanto a sua chegada, é a sua partida. Noites são incompetentes em durarem mais do que um choro, mais do que uma angústia... um susto. A tempestade, por vezes, é uma cartada desesperada da noite em golpear o ânimo de um viajante. Mas encare os pingos e trovoadas como berros de uma criança mimada que pede o brinquedo de uma vitrine. E esse brinquedo, meu caro, é você; só que o papai não vai comprar.

Dizem que a noite é mais escura bem antes do amanhecer. Talvez seja por isso que o viajante, ao deparar-se com momentos de completo breu, não deve temer. O amanhecer está vindo.

Portanto, beba um farto gole d'água, bata as solas dos pés com firmeza e tome o seu roteiro e cajado - se tiver algum - e aprecie o horizonte borrar-se em tímidas cores quentes. Há sempre uma manhã perto de todo aventureiro que aguenta as pontas e vigia o céu. Vigie o seu também e cante as canções dos destruidores de noites com todo o esplendor que é saborear a aurora de um novo dia, que, acredite, está vindo para você.

Mantenha o curso no sentido da vida: pra frente.

Boa viagem, nobre viajante.

quarta-feira, 12 de outubro de 2016

Título Provisório

Decerto, há sempre uma coisa (uma não. Várias) que está (estão, meu caro) espalhada (DAS!) pelo meu PC, não importando qual canto seja. É batata você encontrar. Desde a franqueza do Desktop até os confins de uma pasta obscura dentro de outras dezenas de pastas igualmente esquisitas, apresentando avisos do tipo "não tem nada aqui" e "vírus" - alarme este que chega até dar um friozinho na barriga de quem fuxica. Não pelo medo de encontrar o tal vírus, mas, sim, de trombar com algum fetiche bizarro envolvendo bonecas de PVC.  E é óbvio que estou falando apenas de uma situação hipotética, claro... (verdade. O computador dele não tem vírus) - enfim! o ponto é que sempre haverá, em qualquer canto desse meu extenso baú virtual, eles: Os Projetos.

Quem olha assim, acha até que está diante de um computador importante, de onde sairá uma nova obra-prima do século XXI, quentinha para descacetar a arte como a conhecemos (oi?). A cada esquina tem uma ideia sendo trabalhada, um brainstorm sendo agitado, um organograma construído. São tantos projetos que imaginar o perecimento do HD que os armazena é quase uma blasfêmia (bate na madeira, abestado). Aliás, perguntar-se como alguém consegue se situar em meio a tantos documentos também é inevitável. Mas, claro, a resposta é direta: "um nível de percepção que poucos são capazes de atingir, bebê" (Na verdade eu ia perguntar como um PC pode travar tanto).

Projetos, projetos, projetos... estão chovendo sobre mim. Saca só como fervilham, fervilham, fervilham.... ah, é sublime ser criativo (olha lá. Tela azul!). Deixa os projetos jogarem, ô iaiá, é o que eu digo (sim, ele diz. Sério). Se tem uma coisa que não tenho medo é de criar. Steve Jobs já falou sobre isso, se não me falha a memória. É só pintar a ideia que aquele botão direito do mouse já estará sendo esmagado, prontamente, e um novo documento de texto aceitará, sem frescura, o que eu tenho para anotar, e assim a magia se desenvolve, com todo o esplendor de uma gênese.

As pessoas apreciam esse meu jeito; curtem a vista que proporciono a elas quando há aquela visita ao meu reduto eletrônico; ficam tão curiosas e com os olhinhos brilhando que às vezes até fazem merda (falei que não tinha vírus). Mas não há porquê me enraivecer, pois é o meu mundo que elas anseiam ver, precisam ver. Então, diante de tantas inovações e promessas de uma concretização agradável e entretenimentora (é sério?), essas mesmas pessoas disparam a MESMA bendita pergunta, sempre: E aí, quando é que veremos esse projeto pronto? (Exato. Tá aí algo que estava prestes a perguntar)...

(Fala aí, cara.


 
Olá? Responde a pergunta, diacho.

Ei, tem alguém aí ainda?!

...Eu não acredito. Só pode ser brincadeira.

Não é.

Se pelo menos esse maluco tivesse me terminado há seis anos, talvez pudesse finalizar isso aqui de uma maneira digna. Bom, o que resta é mostrar a tal vista. É bonita, admito. Há coisas interessantes no horizonte, como filmes, músicas, poemas, pinturas, épicos e... coisas que parecem sonhos, sabe?

Bem, vai ver ele deve ter tido alguma outra ideia e foi ali anotar. 

Deve ter sido isso, não é mesmo?

Não é?).

domingo, 30 de agosto de 2015

Quanto ao Absurdo de Estar Perdido ou Achado

"Você tem essa mania de me dizer que estou 'perdido'. Bem, não que por algum acaso eu já tenha me achado neste mundo turbulento, pois tal coisa, te garanto, jamais fiz e acho meio improvável fazê-lo algum dia. Porém, todavia, entretanto, não - quer - dizer - que - estou -  perdido. Eu só não cheguei ainda. Pergunto ali e pergunto acolá sobre esse negócio de se achar, mas oras, ninguém sabe coisa alguma! Por que eu, miserável ser errante, deveria portar esse item tão raro e valioso? Só de perguntar já me soa arrogante. Agora, hei de admitir que enrolo nesse troço aí. Na verdade, passo em tantos galhos, dos mais tortos aos mais alinhadinhos, desprovido de qualquer pretensão, que até o pouco de bom-senso que possuo não configuraria isso como sendo um procurar. Mas é um, sim, lá num fundo tão fundo que o pobre diacho do 'perdido' venha a calhar de uma certa forma. E pensando bem, aqui nos domínios de um galho lodoso e sinuoso que faço morada há três dias, essa caça é tão eterna quanto o tédio que deve ser se achar por completo. Convenção social ou não, eu não sei o que quero, você não sabe o quer, ninguém sabe! - E nem se toda a sanidade mental minha esvaísse perante uma doença do tempo, ainda assim, não consideraria o termo 'perdido' em meus cunhos de julgamento alheio. Prefiro usar um mais simplório e filosófico: Vivendo - com V maísculo mesmo".

domingo, 29 de março de 2015

Tradutor Espontâneo: Um dos Maiores Riscos Que Tomamos Na Vida

"Não julgue essas pessoas. Elas têm seus problemas. Não se pode ter um relacionamento se você não deseja decepção e dor. É impossível. Se você diz 'sim, eu aceito' ao outro, você também estará dizendo: 'Sim, eu aceito me machucar por você'. Deve-se estar disposto em perceber, ao entrar neste mundo, que a grandeza da vida está em tudo aquilo que é bom e agradável, mas também em todo desapontamento, amargo e sofrimento. E é isso que a torna maravilhosa.

As pessoas precisam umas das outras. Interações, relações, amizades ou casos amorosos. Construir uma relação, seja ela qual for, é uma das coisas mais difíceis que fazemos em nossas vidas. É um dos maiores riscos que tomamos na vida. Então, vamos lidar com isso e ver o que acontece."


Texto Original: One of the Biggest Risks We’ll Take in Our Lives

“Don’t judge these people. They have their problems. You can’t have relationships if you’re not willing to be disappointed and hurt by that person. It’s impossible. If you say yes to someone, I will, you are also saying, I will be hurt by you. You have to be able to enter into the world and realize the richness of life is all the good and joy and thrill of it, but also all the disappointment, hurt, and heartache of it. And that all of that is what’s great.”

“People need each other. That actual interaction or relationship or friendship or romantic love affair. All the different ways relationships take form is one of the hardest things we do in our lives. It’s one of the biggest risks we’ll take in our lives. And let’s deal with it. And see what happens.”

--

Este texto faz parte da minha mais nova atividade por estas bandas. Irei aqui exercitar a minha percepção sobre o idioma Yankee, mas de uma forma desprendida dos "pés das letras" (pobre delas, coitadas). Para começar, traduzi este trecho bastante magistral saído da boca do ator Phillip Seymour Hoffman (que infelizmente veio a falecer) no filme Almost Famous (2000). Este trecho é, na verdade, um recorte presente num vídeo tributo ao ator no canal John Dey, no Youtube. O editor mandou bem na montagem deste quote e achei bacana começar a série de traduções por ele.

E eu espero me divertir nisso.

Fiquem na paz.

segunda-feira, 9 de março de 2015

Eu Roteirizando Comerciais de Bebidas

"Você fez uma promessa.
Confiou nela criar.
Evoluir.
Transformar.
E muitos consideraram impossível alcançá-la.
Bem, a verdade é que ela depende apenas de você para se cumprir.
Mas saiba que prometer é fácil e indolor;
Cumprir é ter todos os caminhos inversos,
ser quem você verdadeiramente é.
Acordar e saber que uma promessa depende de você
É ter o amanhã com um sentido.
Ecoe seu futuro através do presente, não abandone sua promessa
Cumpra seu sonho.
Cumpra sua vida.

Continue Andando.
João Andarilho.
Se beber, não dirija."

Vou te falar que jamais vi sentido em prosas motivacionais encaixadas em propagandas de bebidas alcoólicas. Afinal, onde eles querem chegar com isso? Consolidar que o álcool é um destruidor de amarras e, com estas destruídas, podemos realizar grandes feitos? Se o "grande feito" é perder a vergonha de falar com aquela menina da festa - Ok, eles estão certos. A verdade é que para se alcançar sonhos ou se reafirmar socialmente, você precisa dos efeitos de um esforço implacável, e não dos alcoólicos, pois eles são menos duradouros que o primeiro.

Mas se me perguntarem de qual "estilo" de propaganda prefiro, as machistas e recheadas de mulheres esbeltas ou dos discursos motivacionais, direi que não sei. Pouquíssimas mulheres bonitas que eu conheci na vida bebiam cerveja. E eu jamais poderei dizer que o álcool me ajudou a realizar sonhos.

Eu não bebo, oras.

Mas continuo andando, como o João sempre me pediu.

domingo, 14 de setembro de 2014

Numa Sexta-feira

Nas molhadas ruas dessa sexta, o frio traz à tona incógnitas rotineiras. Penso estar em conflito com o ambiente que me cerca. Por algum motivo, os homens parecem mais românticos, as mulheres mais radiantes, as crianças mais protegidas, os idosos mais esperançosos e o sol, que em cisma de timidez viveu o hoje, mais conveniente. Um balanço de entusiasmo e nostalgia preenche a minha mente, porém não sei no que meus olhos refletem, acredito estarem tão confusos quanto eu.

Desisti de imediato fazer qualquer ligação lógica com as condições meteorológicas e o humor ambiental vigente: Uma mãe acaba de abrir mão de seu guarda-chuva para proteger o filho da tempestade - O amor em tempos frios. Perseguindo os meus caminhos, penso no que mais é necessário para viver um sonho e, mesmo com o dia que me rodeia sendo tão convidativo, admito que quero estar aqui e ao mesmo tempo não.

Ao sair do trem, me espantei com a insignificante diferença de temperatura entre o vagão e a rua. Isto me preocupa. Estou para chegar em casa mais cedo, poderei pôr em descanso o meu corpo. Quero pensar nas coisas boas que me esperam - Talvez seja este o entusiasmo e a casa, nostalgia.

Homem carrega uma flor, mulher bem consigo, uma criança com um guarda-chuva, idoso sorrir e um dia frio e chuvoso termina em brilho solar. Tudo parece bem, estou no caminho certo. Isso é o que meus olhos refletem.

terça-feira, 26 de agosto de 2014

Dama das Dores

Ontem me foi permitido sonhar
Com uma bela dama de hipnotizante olhar.
Em suas mãos, ela portava algo de difícil compreensão
Não lembro se uma arma ou meu próprio coração

Disse para não temer o fim do perfeito
Senti uma dor eletrizante no peito
Ela jogou fora o que segurava após um beijo
Num cruel e descompromissado desfeito

Suas mãos, agora sujas, estenderam-se a mim
Do paraíso no qual estava, ela me mostraria o fim
Belezas também morrem, ela disse
Poderia restaurar o que fora descartado, se ela não me impedisse
Com não's e uma realidade crua
Encontrei minha companheira amargura.
Excomungado do sonho,
O que sobrou foram lembranças,
de um amor agora desmembrado da esperança.

Foi bom estar perdido na perfeição
Comparado à esta atual desolação.
De que serve o adeus,
se ela é ignorante ao que digo?
Do oxigênio que usa,
ela não tá afim de dividir comigo.