domingo, 15 de janeiro de 2017

Disse

Sábado passado, na festa, Kelly estava sentada sob a claridade prateada da lua, em frente às violetas, encarando-me com aquele grande par de olhos magnetizantes. Eu estava me aproximando, quando ela enrijeceu seu espírito e levantou-se com a graça que não ouso descrever.

Encontrei-me sendo acariciado suavemente, no rosto, por suas mãos macias, tal como o toque de uma seda. De repente, vi fluir nela um manancial. Não era sólido, pois vivíamos em um país tropical; e tampouco gasoso, porque não estávamos dispostos em nenhum planeta venenoso. Era indiscutivelmente líquido. Era bonito, calmo, quente e salgado - o grupo de qualidades que não costumamos definir as lágrimas.

- Eu estou feliz - ela me disse.

Ter conhecimento da significação fez encher o meu ser de alívio, até porque constatei, enfim, que compartilhávamos do mesmo sentimento.

Tradução Espontânea:It's Always Summer Under The Sea

É Sempre Verão Debaixo do Mar

O verão é eterno
Lá sob o mar
Eu sei, eu sei, ah, ah, ah...
As aves têm escamas
E os peixes alçam em asas
Eu sei, eu sei, ah, ah, ah...

A chuva é seca
E a neve cai para o céu
Eu sei, eu sei, oh, oh, oh...
As rochas espedaçam-se
A água queima
As sombras vêm para dançar, lorde meu.
As sombras vêm para brincar.
A escuridão chega para dançar, lorde meu.
As sombras vêm para ficar.

***

Música presente na trilha sonora da 3ª temporada de Game of Thrones, cantada, no episódio, por Shireen Baratheon (Kerry Ingram). Esta singela canção, para mim, representa bastante o sofrimento e solidão que foi a vida desta menininha. Presa numa torre e prejudicada pelas marcas de uma doença grave, Shireen é o tipo de pessoa que não possuía otimistas perspectivas de vida. Mas era dotada de uma natureza graciosa e terna fragilidade que me fazia admirá-la. Uma personagem interessantíssima. É uma pena não termos mais esta pequenina na série da HBO. Uma pena.

Espero que agora, pelo menos do outro lado, ela tenha encontrado seu verão eterno. Lá sob o mar.

sábado, 14 de janeiro de 2017

O Breve Discurso de Um Viajante

Olá, companheiro viajante! Saudações andarilhas a todos.

Se não lhe for chato ouvir algumas palavras de elucidação, as quais costumamos chamar de conselho, dedique um pouco da sua atenção a este errante calejado. 

As estradas certamente reservam perigos que não podemos prever. Sempre foi assim. Mas é válido lembrar que a magia da coisa está nisso. A propósito, eu nunca saio em uma aventura que não me ofereça riscos; pois pra que servem as viagens se não houver aquela sensação de não ter o controle de tudo?

Você me ouviu?

As estradas não mentem.

Alguns até dizem: "Olha, você uma hora vai é morrer se continuar pensando assim". Blah! Quem fala essas balelas não costuma viajar e de tabela não costuma viver - e aí, se não vivem, por que a morte importa tanto a eles, afinal?

Sei lá, não imagino aventuras sem riscos. Seria um crime investir em uma sabendo que tudo será um mar de flores com perfume de aloe vera e, mesmo assim, ao final dela, ter a cara de pau de regressar com a mesma satisfação que Santos Dumont experimentou ao pousar sua engenhoca, ou Martin Luther King, por ter marchado.

Não seja o tipo fraco de viajante. Não desperdice o seu talento inato de atrair toda sorte de perigos para o teu cangote. Perceba o valor que isso tem, para não achar que a viajem é apenas mais um dia comum. Viagens são feitas para loucos varridos, com deficiência em se manterem presos a correntes que são invisíveis o bastante para alimentar uma liberdade ilusória. Assuma a loucura como quem assume o desconforto de um sapato apertado já sabendo do satisfatório prazer que será retirá-lo.

A loucura está aqui, junto com as ameças, e não há período melhor para elas se proliferarem do que a noite. Sim, está em nosso código genético temê-la, até porque é ela quem melhor sabe atrair riscos. Existem noites que são verdadeiramente escuras, sem estrelas ou lua, sem brisa ou cricrilo que nos atinja e faça constatar outra vida além da nossa. São noites de desolação e relento, onde não é possível enxergar nada além de pessimismo, somente solidão. 

Lá se vão nossas esperanças diante das noites que não se pode impedir - e qualquer viajante de respeito, caro companheiro, tem medo. O medo é a mais excitante das aventuras. Tenha-o sempre na mochila consigo, deixando claro a ele quem está no controle. Porque com a noite a dinâmica é diferente. As noites são naturais, previsíveis e implacáveis. Noites sempre vêm e todo esforço contrário é inútil. 

Contudo, tão certa quanto a sua chegada, é a sua partida. Noites são incompetentes em durarem mais do que um choro, mais do que uma angústia... um susto. A tempestade, por vezes, é uma cartada desesperada da noite em golpear o ânimo de um viajante. Mas encare os pingos e trovoadas como berros de uma criança mimada que pede o brinquedo de uma vitrine. E esse brinquedo, meu caro, é você; só que o papai não vai comprar.

Dizem que a noite é mais escura bem antes do amanhecer. Talvez seja por isso que o viajante, ao deparar-se com momentos de completo breu, não deve temer. O amanhecer está vindo.

Portanto, beba um farto gole d'água, bata as solas dos pés com firmeza e tome o seu roteiro e cajado - se tiver algum - e aprecie o horizonte borrar-se em tímidas cores quentes. Há sempre uma manhã perto de todo aventureiro que aguenta as pontas e vigia o céu. Vigie o seu também e cante as canções dos destruidores de noites com todo o esplendor que é saborear a aurora de um novo dia, que, acredite, está vindo para você.

Mantenha o curso no sentido da vida: pra frente.

Boa viagem, nobre viajante.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

A Tristeza

Tenho pensado sobre as coisas passageiras
E me pergunto: Por que a minha tristeza não é uma delas?
Me pergunto também pela sua maneira
De me derrubar sem nenhuma cautela.

Podem poetas, sábios, filósofos e bardos
Dizerem-me que ela é passageira, sim.
Mas que esforço é querer atribuir razão
à mente de alguém que a tristeza faz fluir?

Aliás, todos eles são tristes - pessoas tristes!
Que em suas lástimas produzem aquilo que os fazem parecer cada vez mais...
Tristes.
E eu, não podendo ser considerado nem um miserável rimador,
Faço da minha própria desolação
O discurso da minha dor.

Tristeza é um mal necessário,
O qual a única necessidade é estar triste.
Nada mais.
E deixar que pensamentos antes felizes
Transformem-se apenas em lembranças menos...
Tristes.

Quem me dera eu tivesse a arma
Que mata estas lágrimas que teimam em não descer
Por este rosto de falsa calma
Onde existe uma alma a sofrer.

Quero que de mim a tristeza vá embora
Para que eu não tenha o que lamentar,
O que agonizar,
O que escrever,
Em palavras tão tristes no agora
Que de forma alguma passageiras vão ser.

segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

Manuscrito Deixado em Itaipuaçu

Antes que a última hora de 2016 viesse, dediquei alguns minutos para observar. Observar o céu e sua imensidão. Quem me conhece mais a fundo sabe que eu sempre achei fascinante olhar para o firmamento na tentativa de captar um novo detalhe na vastidão, enquanto pensamentos igualmente vastos transitam pela mente. 

Fui até o gramado do quintal e lá deitei. As mãos foram postas como travesseiro e a imobilidade tomou conta de mim, apenas as retinas se moviam. O céu estava limpo e salpicado de estrelas, mais do que normalmente costumo ver - pois o centro urbano com suas cintilantes luzes artificiais haviam ficado para trás -, e os belos fogos de artifício, anunciando o final próximo de mais um ciclo, iluminavam a noite e o meu rosto.

Depois de alguns minutos em silêncio solene pude perceber uma coisa que me fez esquecer a pinicagem da grama e a dormência nos braços. Percebi que o céu estava me olhando de volta. Bem, eu já estava encarando-o há um tempo considerável, e não me preocupava em ser retribuído. Mas eu fui. E num canto singelo do infinito teto, como se fosse uma mancha de mofo, descobri uma fenda. A brecha, a qual mirei prontamente, me levou para o ponto mais profundo do universo. Lá julguei ser uma perfeita ocasião para conversar com Deus, pois acreditei estar olhando em Seus olhos. Comecei a conversar, não dando muita pretensão às palavras, que eram mais emitidas em pensamento do que em oralidade. E tive o fascínio de me descobrir sendo aquilo que todo ser humano anseia ser: ouvido.

O espírito das festividades de fim de ano, querendo ou não, acabam nos contagiando e por isso temos uma tendência a agir de maneira mais reflexiva. 2016 foi um ano incrível, repleto de experiências novas que para sempre ficarão tatuadas na minha alma. Sim, foi um ano difícil, o qual me machuquei algumas vezes e entrei numa solidão que me assusta só de pensar. Mas nada disso ofusca os méritos de ter vivido intensamente e ter me entregado a tudo que eu considerei válido me entregar. Deus enxergara no meu coração a vontade de desabafar essas coisas, então direcionou sua atenção a mim, àquele ínfimo pontilhado num gramado. Eu tinha muito o que dizer e agradecer, e Deus responde ao necessitado, principalmente aqueles necessitados de amor. Fiz tudo isso com a satisfação que meu espírito havia vestido. Pensei em algumas pessoas, importantes e amadas, e as balanceei com a calmaria que o ambiente da fenda me proporcionava, para assim enviar muita positividade e amor.

Só que em meio a minha conversa com Deus, uma nebulosidade se intrometeu como quem sente ciúmes de uma intimidade alheia. Achei estranho! E fiz questão de gritar isso. Conforme as nuvens avançavam sobre o meu campo de visão, fui perdendo o contato com Deus, até o momento em que todas as estrelas e o meu ponto mais profundo no universo fossem perdidos de vista. Voltei a perceber a pinicagem e o formigamento nos braços. Eu não queria perder aquele lugar. Estava me sentindo preenchido, apesar de ser um local que confundia sossego com angústia. Tentei tocar as nuvens para dissipá-las. O desespero principiou sua chama em meus nervos e uma vontade de me levantar e enlouquecer me cutucou. 

A nuvem ia se tornando mais densa.

Os rojões começaram a estrondear um atrás do outro, sem qualquer pudor ou consideração para com a ocasião. "Merda! Eu só queria agradecer a Deus, conversar com Ele. Será que é pedir muito? Calem a boca rojões malditos, nuvem maldita, calmaria maldita. Calem-se, malditos!". Não há nada mais humano do que o desespero. Só que Deus não queria a minha agonia. Sua voz veio até mim, somente a voz. A nuvem havia sido um teste, um último para o ano - essas foram as palavras dEle. As estrelas permaneciam escondidas, mas Sua voz chegava nitidamente a mim, pedindo por minha calma. Meu estado foi ficando mais sereno e a respiração menos arfante. 

Então, quando não mais ofegava, entendi a lógica de tudo, o sentido da experiência e o motivo de eu ter sido capaz de enxergar o mofo. Aquelas estrelas eram minhas e 2017 estava vindo para eu ir atrás delas. Soa óbvio assim, mas a gente tem mania de acreditar que as nuvens são eternas. Deus não dá nada de mão beijada, como se fosse uma espécie de mimo desregrado. É preciso lutar por aquilo que se quer conquistar, vencer a nuvem.
Agradeço pelo ano maravilhoso que foi 2016, o qual nunca esquecerei e Ele fez questão que eu não esquecesse, jamais. "Algumas atitudes feitas pelo coração não me entristecem. Não se desespere.", foram as suas últimas palavras antes que se despedisse. Pedi perdão pelos meus erros e prometi ser alguém melhor do que jamais fui. Ele soprou uma brisa aconchegante na minha direção e me pediu para confiar. Fiz que sim e Ele sorriu. 

Como eu sei que foi um sorriso?

Bem, uma estrela venceu a nuvem e alcançou meus olhos. 

Dei um nome a ela. O nome mais belo que um dia tive o prazer de pronunciar pela primeira vez. E continuarei pronunciando até que a morte, sob a permissão do Senhor, me leve.

Feliz 2017. Principalmente para você, que confia.

sábado, 24 de dezembro de 2016

Saneamento Básico - O Rio de Rios Mortos

Precisamos falar sobre Saneamento Básico

Uau, já faz um tempinho que não venho aqui. Vejo que o reduto está infestado de poeira, as prateleiras estão com complexos emaranhados de teias de aranha e tem um cheiro de morfo invadindo minhas narinas que não posso pensar em mais nada além de: "Preciso tomar vergonha na cara!". E também contratar um caseiro - um mordomo com nome de lorde ou um elfo liberto com direitos trabalhistas devidamente respeitados. Apesar da bagunça, a visão antecipada de uma faxina empenhada já acalma esta ansiedade chata que me aporrinha sempre quando me julgo estagnado. 

Caraca, Matheus, do que você tá falando? Foi longe, hein! Deixa eu voltar ao ponto deste post. 

Nos últimos dois meses estive atrelado a uma árdua missão - junto com os colegas mais batutas que pude me aliar. A tarefa, requerida pela matéria de Sociologia na faculdade, foi produzir uma espécie de pseudo-documentário-reportagem jornalística que abordaria o tema "meio ambiente". Para isso, resolvemos mostrar a ligação entre saneamento básico e preservação ambiental como forma de discutir o tópico proposto e, ao mesmo tempo, apontarmos nossos arcos e flechas de produtores do audiovisual em direção a algo ligado ao cotidiano de qualquer cidade. O Saneamento Básico não é apenas um agente de infraestrutura numa cidade, é também uma questão ambiental, e ter tal serviço funcionando com eficiência é, de maneira bem direta, preservar a natureza de um lugar. 

Nasceu assim o projeto "O Rio de Rios Mortos", o qual foca nos problemas enfrentados nas regiões suburbanas da cidade do Rio de Janeiro com relação a tratamento de esgoto.

Enfim, deixo que assistam o vídeo e reflitam sobre o assunto:



Um muito obrigado a todos os meus colegaços: Su, Lih, Mayky e Jean; ao entrevistados: Rose, Jorge e Katia Regina; um valeu pro Vinicius também; e todos os outros que indiretamente tornaram a produção deste trabalho possível. Coraçõeszinhos para todos vocês!

***

Ah, é claro que houve também a produção de um vídeo só com os erros de gravação. Foi uma maneira de descontrair e registrar o processo de making of. Em nenhum momento foi nossa intenção tirar o peso e seriedade do tema abordado, por isso vídeo está a parte do original. Espero que gostem:


Bom, agora vou me concentrar na imensa faxina que me aguarda aqui. Sabe como é, né, poeiras não se limpam sozinhas. E sou pobre, não tenho dinheiro pra pagar mordomo. Mas quem sabe um dia?

terça-feira, 8 de novembro de 2016

Isso Segundo Helena Müller

Helena Müller tem grande apreço por duas coisas: primeira, responder perguntas e segunda, seu nome. Por mais que seja difícil conceber, ambas as coisas se interligam, mas em um nível bastante profundo e pessoal jamais revelado. Como conseqüência direta de suas venerações íntimas, Helena tornou-se uma intelectual muito respeitada e de personalidade tão forte quanto o seu nome. Ela admite que um dia, quando nascera, já a nomearam de outra forma, mas que “no processo que me confeccionou ao sublime estágio de existência o qual me encontro, achei inadequado chamar-me daquilo quando deveria chamar-me disto. Então, o meu passado não me interessa e por isso peço que não me direcione mais esta pergunta”. A propósito, esta é a única pergunta que de fato não lhe agrada, pois, tirando isso, nada lhe proporciona mais prazer do que ser indagada. Adorável quando quer ser, simples quando acha necessidade em ser, e ríspida ao se encontrar em uma divagação, Müller não inicia nenhuma de suas respostas sem antes dizer: “E por que você quer obter esse conhecimento?”. No entanto, basta uma insistência convincente que a intelectual responde de bom grado, deixando sempre, após a resposta, a sua célebre advertência pairar sobre o interlocutor: “Agora só não me mate ninguém com este conhecimento!”.

Tivemos o prazer de encontrar esta figura icônica, obra de um esforço que, no fundo, pareceu-me muito acaso. Dissemos que precisávamos de uma resposta e tudo se sucedeu conforme já narrado. Precisávamos de uma definição básica do que viria a ser Literatura. Obviamente, ela implicou com o termo “básico”: “É de um absurdo tamanho que estou sendo tentada a considerá-los pessoas ignorantes. Mas estou rechaçando tal preconceito...”. Esclarecemos, com a voz emperrada como o discurso de um gago, que queríamos a definição para ser lida por adolescentes. “Nenhum conhecimento é básico, pois nem mesmo o desconhecimento é”, rebateu ela. Mas Helena Müller compreendeu a particularidade que requeríamos e atendeu ao nosso pedido. Uma pessoa extraordinária, ela é.

Segundo Helena Müller:

O ato de definir Literatura é uma tarefa difícil, quase impossível eu diria, tendo em conta que muitos estudiosos e intelectuais já intencionaram trazer uma definição definitiva para ela, uma que alcançasse todos os cantos deste vasto ambiente. No entanto, todo esforço para se chegar a uma conclusão unânime era, no final, suplantada por uma observação crítica, porque sempre faltava algum detalhe, e então voltávamos à estaca zero. Por isso fala-se mais sobre conceitos, e não definições; e aí a dinâmica muda completamente, porque cada conceito se complementa, adiciona mais camadas aos estudos e vai elucidando ainda mais o nosso entendimento para com a Literatura.

A palavra Literatura tem, em sua origem, ligação com a palavra littera, que quer dizer letra e, também, o conjunto de habilidades e conhecimentos para compor e ler um texto. Aliás, o material fundamental da Literatura é a letra. Portanto, usa-se o termo para designar uma obra de arte que tem como seu instrumento, e sua forma de se expressar, as palavras. Se fizéssemos um paralelo com a música, por exemplo, veríamos que esta tem o som como o seu instrumento de expressão. Literatura é a arte das letras. Se ainda estiver um pouco confuso para você, veja o que Aristóteles, filósofo da Grécia antiga, disse: “A Literatura é a imitação da realidade”, ou seja, isso quer dizer que o que vemos nas obras literárias são imitações (mimeses) do nosso mundo real, só que com algumas diferenças, como extrapolações lógicas, eventos extraordinários e distorções no espaço e/ou no tempo, coisas que não são possíveis no nosso mundo, apesar de sabermos que ele está repleto de surpresas que desafiam nossas concepções. No entanto, na Literatura, tudo isso é feito com o intuito narrativo, para provocar em nós, leitores, sentimentos e reflexões. O que é mais importante, porém, é sinalizar que para essa tarefa, o escritor faz uso de letras para nos imergir nessa “realidade paralela”. 

Contudo vale esclarecer uma coisa. Seria um equívoco falar que tudo aquilo que é composto por letras/palavras pode ser considerado Literatura (Arte). Não, não é isso, até porque para se discutir o que pode ser considerado arte ou não precisa de toda uma discussão mais profunda do que esta. Mas adianto, grosso modo, que arte precisa de um valor, uma significação e, também, comunicar algo de maneira estética. Mesmo assim, seja os livros do Harry Potter ou aquele poema que um aluno escreve para a matéria de produção de texto, ambos são Literatura – obviamente com seus valores diferentes.

O termo também é usado para denominar o conjunto de obras de um determinado país ou período histórico, pois a Literatura exprime bastante a característica e cultura de um determinado povo. Nesse sentido, quando falamos em Literatura Brasileira ou Inglesa, nos referimos às obras feitas nesses territórios, os quais possuem cada um seus próprios costumes e comportamentos. Por outro lado, quando falamos em Literatura Moderna, por exemplo, nos referimos à característica, uma tendência, de um determinado período na história da humanidade. 

Apresentados esses conceitos gerais, é possível ter um melhor vislumbre do que se trata Literatura e saber que estudá-la é um ato fundamental para se entender a nossa própria história como espécie – uma espécie singular em numerosos sentidos e que quando escreve suas palavras, exatamente o que ocorre na Literatura, é capaz de deixar um dos mais eficientes vestígios de sua passagem neste imensurável universo.

- Agora só não me vá matar alguém com este conhecimento! Trate de dizer isso a eles também.