sábado, 14 de novembro de 2015

Tradutor Espontâneo: Beautiful Escape

- Houve momento de desejo implacável por algo diferente. Algo que pede uma displicência em querer correr rumo ao LÁ que Gonçalves Dias tanto idealizou. Uma fuga que traz catarse... Uma fuga encantadora.

Essa é uma tradução livre da música Beautiful Escape de Tom Misch com participação de Zak Abel.

Segue a letra original, letra traduzida e, ao final do post, a música:


BEAUTIFUL ESCAPE

I feel you breathing down my neck
As the blood's rushing through my legs
Waiting for a chance to prove that my soul
It belongs to you
I just wanna go there,
I just want a beautiful escape
I just wanna move ya
Show you that this love is yours to tear

And now we're driving over,
Thrills that makes us feel like we're not enough
Yeah, we're flying up, closer
Dancing on the edge of the world above
I was scared I couldn't show ya
All this lovin' that I hold inside
But now I feel your power
I am here, and I don't wanna hide
No more

Now I'm feeling like you're with me
As my heart's pouring on my sleeve
I don't want this rush to go
Oh I'm trying to let you know
I just wanna go there
I just want a beautiful escape
I just wanna move ya
I just wanna take you to that place

And now we're driving over,
Thrills that makes us feel like we're not enough
Yeah, we're flying up, closer
Dancing on the edge of the world above
I was scared I couldn't show ya
All this lovin' that I hold inside
But now I feel your power
I am here, and I don't wanna hide
No more

No more


FUGA ENCANTADORA

Sinto sua respiração rente ao meu pescoço
Como as correntes sanguíneas que fluem em mim
Ao aguardo de uma chance de se provar que minh'alma
Pertence a você
Eu só quero ir até lá,
Eu só quero uma fuga encantadora
Eu só quero te excitar
Mostrar-te que esse amor é teu para despedaçá-lo

E agora nós estamos em curso,
Curtindo aquele prazer de achar que não somos o bastante
É, estamos voando, juntos
Bailando nos limites do firmamento
Temi não ser capaz de te mostrar
Todo o amor que guardo dentro de mim
Mas agora sinto o teu calor
Estou aqui e não vou mais escondê-lo
Não mais.

Agora vejo que estamos em sincronia
Conforme meus sentimentos saem das fobias
Não quero me precipitar
Oh, estou tentando te mostrar
Que eu só quero ir até lá,
Eu só quero uma fuga encantadora
Eu só quero te excitar
Eu só quero te levar até aquele lugar

E agora nós estamos em curso,
Curtindo o prazer de achar que não somos o bastante
É, estamos voando, juntos
Bailando nos limites do firmamento
Temi não ser capaz de te mostrar
Todo o amor que guardo dentro de mim
Mas agora sinto o teu calor
Estou aqui e não vou mais escondê-lo
Não mais

Não mais.


quinta-feira, 29 de outubro de 2015

1/10

Beira de estrada. Num mercado ao longo, um homem empacotava suas compras apressadamente. Ele estava eufórico, mal conseguia controlar suas próprias coordenações e como resultado, ao receber seu troco, deixou que uma moeda de dez centavos escapulisse de seus domínios e rolasse calçada abaixo, rumo ao asfalto conturbado. O homem, com um impulso automático, correu atrás da moeda numa dedicação nada recíproca, onde seu pé direito tentava deter a fuga, mas a moeda continuava a rolar e o homem, à estrada, atenção não prestava. Obviamente, em certo momento, ele conseguiu detê-la, conseguiu recuperá-la. E após esse certo momento, ele lembrou-se de suas compras, lembrou-se de sua pressa, mas também, não menos importante do que todo o resto, lembrou-se que estava sob a agitação de uma estrada.

E morreu.

Quanto a moeda, a pressa e as compras, todas passam bem.

quarta-feira, 21 de outubro de 2015

Leve em Consideração

Quando os olhos de Clarice foram de encontro com os de fulano, ela foi capaz de enxergar toda a beleza contida naquele ser. Ele, trocando em miúdos, era a coisa mais linda que ela já viu ou ainda veria em toda sua existência - e para tal conclusão delicada não fora preciso mover a retina um só centímetro, Clarice sabia disso e era suficiente apenas olhar, mergulhar nos olhos cor Amazônia, vívidos e puros, os quais devolviam percebimento. Junto ao momento, a respiração da moça desapareceu por um segundo equivalente a século, seu corpo traiu-a com arrogância ingrata e ela sentiu nas entranhas mais profundas que a compõe, uma palpitação abstrata que arranca a razão até dos mais pragmáticos dos homens: Amor. Amor categórico e incisivo; amor que não pede para adoecer; o mesmo amor neutralizador de sentidos; o amor cego que, tal qual pelos próprios olhos, escolhe não mais enxergar nada além do que o último vislumbre - O que alguns ainda insistem em chamar de primeira impressão... De primeira vista.

sexta-feira, 9 de outubro de 2015

Pensando Sobre o Ato de Escrever

Pergunte para um escritor, qualquer um mesmo, do amador ao profissa-nobel ou até aquele já passado desta pra melhor: "O que é escrever?". Haverá uma infinidade de respostas, certamente. No entanto, nenhuma descartada poderá ser, pois cada uma terá o seu valor caso haja o intuito de melhor entender esta prática. Há aqueles que escrevem muito, há os que pouco escrevem, há aqueles que dizem de si, outros que dizem do externo a si somente, têm os que são dramáticos, ou os sátiros, há os realistas, mas há os fantasistas também. Pensando sobre o que poderia ser comum a todos esses sujeitos, veio a minha cabeça um pensamento, que pode, de certa forma, agregar esse que vos fala a mais um dos trizalhões que tentam responder:

- O que é escrever?

"Escrever é um ofício que requer a menor obviedade possível, ou toda da mesma -, que seja. Sobretudo, o que me parece imprescindível para ambos os casos é o exercício da imaginação focado para um fim unânime, que é a matéria prima para qualquer arte: o sentimento. Ignorá-lo, então, representa não só um atentado contra a obra e o ofício, mas também para a sua própria capacidade de se expressar."

Eu disse, talvez, mais do mesmo, mas disse. E muitos demais ainda irão dizer.
Isso, pois, é ótimo.
Que se expressem à vontade.

Um Caso de Liberdade da Verdade

Gosto do completo desprendimento social que, por vezes, ocorre de jeito implacável e fagulha-me uma vontade quase sexual de somente dizer a verdade, aos montes. Verdades de todos os tipos, mas principalmente aquelas que embaraçam os meus vínculos mais frágeis. Aquelas do tipo que machucam por apenas ser a verdade, pura e sem ornamentos, dita num oportuno momento de distração ou conveniência. Ela vem e não sai, fica ali que só ela, complexando o emocional do indivíduo que a recebe como uma reverberação de um som interminável - o tipo de verdade que gosto de dizer, mas nunca de ouvir, pois sou humano, sou hipócrita, o que é outra verdade.

sexta-feira, 25 de setembro de 2015

I'm About

I'm about...
About to run.
About to stay.
About to scream.
About to pray.

About is my way,
every night and every day
in a constant replay
where delay is OK to obey.

I'm about to do.
I'm about to don't.
I'm about to will.
I'm about to won't.

That's my "BE":
Stuck in the middle.
There are two of me,
the one in the flesh
and the one in the mirror.
And I think none of them are real.
Because I'm about to born.
I'm about to die
I'm about to live
I'm about to cry.

Why?

I forgot the answer.
But I'm about to remind.

terça-feira, 22 de setembro de 2015

Ensaio Sobre Questionamento Existencialista Clichê

Casal no restaurante, sentados no pouco iluminado fundo do local, se encontra para bater um papo. Pegamos o bonde andando, no entanto, em oportuno momento, ouve-se:

- Alguma vez você já se pegou olhando ao redor e se sentindo tão diferente das outras pessoas, como se o seu eu fosse incompreendido? - Yasmim indaga com certo teor de contemplação na fala.

- Onde você quer chegar exatamente? - Gustavo paga com outra pergunta.

- A lugar nenhum em especial. Só me bateu a curiosidade de saber se mais alguém já experimentou essa sensação.

- De ser autista, portador de uma síndrome-narcisista?

- Não tem nada a ver com isso. Na real, tem a ver com uma sensação de deslocamento, sabe? Escapulir de algum eixo que, no meu ponto de vista, todo o resto do mundo segue.

- Deve ser divertido se sentir tão especial.

- Eu sei que soa egoísta...

- E é, acredite. Por exemplo, posso enquadrar esse teu raciocínio a nós dois aqui, sentados nesta mesa. Eu posso olhar para os lados e julgar que todo o resto além de nós é menos interessante do que as coisas que nos englobam. Nós somos melhores, nossa comida é melhor, nossa relação é melhor, enfim, até posso pensar que nossa conversa é melhor, apesar de ser difícil me fazer crer nisso. - Ele sorri.

- Me faz parecer uma criança mimada colocando as coisas assim.

- Me desculpe, Yasmim, mas não somos melhores que os outros. Apenas somos, entende?

- Entendo que você sempre gosta de monopolizar os rumos dos nossos papos. - Ela responde em tom áspero.

- Hei, isso não é justo! - Brinca.

- Quer saber? Nem sei porque ainda converso essas coisas contigo. Me manter mais superficial perto de tu é uma boa saída pra não pirar.

- O que você queria ouvir? Ah, Yasmim, você é tão diferente das outras mulheres. Você é tão original, autêntica e interessante. Adoro seu modo de se distanciar dos estereótipos de garotas fúteis e vazias. Que sorte é a minha ter...

- Já chega, Gustavo!

Silêncio. Contatos visuais opostos.

- Você é especial pra mim, Yasmim. E para todas as outras pessoas que te conhecem, creio eu. Mas quanto as proporções que nos contabilizam neste planeta, você é apenas mais uma. Uma singela peça de um mosaico soberbo chamado humanidade.

- Cara, na boa, namorar você deve ser um porre, sabia?

- Sei que temos um progresso agora. - Gustavo diz com um sorriso bobo.

 - Eu, sua companheira, te esganando da forma mais cruel em pensamento neste exato momento? Puta progresso! - Ela disse isso mais alto do que planejara.

- Olha, sua ingratidão me parte o coração. - Ele abre os braços. - Há jeito mais genuíno de parecer diferente do que parecer pior?

Yasmim não respondeu, preferiu digerir o que Gustavo acabara de dizer. Ele, de uma certa forma, havia respondido a pergunta dela, mas ao modo dele.

E o que sucedeu após isso de nada nos interessa.